sábado, 7 de julho de 2012

Cultura, música, poesia, banheiro público limpinho e o que mais valer a pena.

Assistindo a TV Câmara agora há pouco (18h, desse agradável sábado, 7 de julho), fui presentada com o Teatro Mágico, em lindas poesias musicadas que não conhecia, no programa Câmara Ligada.

E as agradáveis surpresas não pararam por aí: discussão sobre cultura independente e o financiamento público para as mídias alternativas e a feliz descoberta da poesia e do trabalho de Marina Mara, que compartilho com vocês logo abaixo.

Pelo que percebi da discussão, Marina desenvolve um trabalho bem interessante denominado Sarau Sanitário, em que cartazes com poemas são fixados em banheiros públicios e outro denominado Parada Poética, em que os cartazes ilustram as paradas de ônibus, numa proposta irreverente e muito interessante, que leva a cultura e a poesia para todos. Eis o poema dáblio-dáblio-dáblio:

"Ficar sem cel não era ficar sem chão na década passada.

O que era o nosso íntimo, o nosso segredo a ser decifrado,

Hoje é débil, é dáblio-dáblio-dáblio.

A superexposição é vitrine, é no monte, é a massa

Bebida em taça de brinde… à e-ngenuidade.

A conexão que nos desconecta de nós mesmos

Acaba por nos, hipnótica-mente, convencer

A baixarmos o software e não baixarmos o Santo,

Digitalizando-nos, deletando nossas mazelas,

Como se delas não precisássemos para lapidação,

Dourando a pílula, a pele e os apelos, quase em pêlos,

Esculpidos por um bisturi online e for free.

Para opinião: senha. Para visitar: perfil,

Enviando abraços não-sonoros sem abraço e sem fio.

Se modernidade servisse para encurtar distância,

E a elegância não passasse a ser artigo de luxo

Em nossas salas de estar, estariam,

Nosso tempo valeria mais cifras e menos cifrões,

Menos textos e mais texturas,

Menos pixels e mais paixões".



Marina Mara

DÁBLIO-DÁBLIO-DÁBLIO (em áudio)

Você conhece o teste do minuto, para detectar problemas posturais?


Eu não conhecia, mas se trata de uma avaliação em que se observa a pessoa, e sua movimentação, e se identifica, dessa forma,  problemas posturais.

Pois então: tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3968/2012, de autoria do deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC), que torna obrigatória a realização do Teste de Avaliação Ortopédica da Coluna (Teste do Minuto) nos alunos da rede pública e privada de ensino.

O PL prevê uma série de ações, para tratamento, a partir do diagnóstico.  São orientados desde exercícios físicos até tratamentos especializados e medicamentos, para casos mais complexos, custeados pelo Estado.
 
Segundo a proposta, os testes serão realizados no início e no fim de cada ano letivo até o último ano do ensino fundamental.

O programa será coordenado pelo Ministério da Saúde e financiado com recursos do Orçamento da União, diz o texto.

A lei deverá ser regulamentada em 120 dias, por meio de decreto presidencial.

É por meio do decreto que se estabelecem os detalhes, as regras, para se colocar a lei em prática, bem como se define competências e responsabilidades.

Por pesquisa da Organização Mundial de Saúde, citada na justificativa do PL, 85% das pessoas têm, tiveram ou vão ter, um dia, dores nas costas provocadas por problemas de coluna.

As crianças e adolescentes são mais vulneráveis, pois além de ficarem muito tempo sentados na sala de aula e em frente ao computador e a TV, estão em fase de crescimento e ainda não tem a consciência necessária para se preocuparem com sua postura, como fator determinante de futuros problemas de saúde.

A postura pode afetar a respiração, a digestão e a circulação, o que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas.

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.  Isso significa que ele pode ser aprovado ou rejeitado, sem que necessite passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados, o que torna a sua tramitação mais célere.

O que você acha desse projeto de lei? Dê sua contribuição pelo twitter @ritarita2000 e colabore para a construção de um documento a ser encaminhado aos parlamentares da Câmara.

A íntegra desse projeto de lei você acessa pelo site da Câmara, clicando aqui.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Em Goiás, leite materno se encontra contaminada por agrotóxicos.


Nesta tarde, na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, foi realizada audiência pública para tratar da constatação da presença de agrotóxico em 100% do leite materno analisado pela Universidade Federal de Mato Grosso, entre fevereiro e julho do ano passado, nas mulheres do município de Lucas do Rio Verde, localizado na Região Norte do Estado.  O referido município é referência em produção de grãos na Região Centro-Oeste. 

Não se trata, aqui, de promover a apologia à proibição do uso de tecnologia e de insumos; e sim de uma reflexão  sobre a possibilidade de adoção de formas menos agressivas de manejo do solo e mais harmônicas de promover os necessários tratos culturais. 

Em tempos de Rio + 20 – ainda que esta conferência não tenha alcançado o objetivo que pretendia, de compromissos das grandes potências com o meio ambiente – é indispensável a realização de discussões sobre formas mais sutis e menos agressivas de interagir com o meio ambiente e administrar a produção de alimentos.

Para além de discutir o banimento dos agrotóxicos, o que precisa ser reavaliado é o seu manejo e as formas de melhor controlar os seus efeitos sobre o meio ambiente e sobre os seres vivos.

É intolerável – a bem do crescimento econômico – a contaminação de rios, lençóis freáticos, trabalhadores, populações de entorno e, agora, de recém-nascidos, que terão sua formação e desenvolvimento comprometidos pelas substâncias tóxicas que lhe contaminam pelo alimento mais completo e essencial, que é o leite materno.

Lembramos, com pesar, um passado recente, que Alagoas enfrentou, sobre tudo na década de 1990, proveniente da utilização indiscriminada de agrotóxicos, o que marcou de forma lamentável os trabalhadores do Agreste Alagoano, e suas famílias, que se dedicavam à agricultura fumageira: o uso do agrotóxico tamaron. 

Casos de depressão e reiterados suicídios foram registrados em número assustador, entre os trabalhadores que promoveram o manejo desse agrotóxico, a ponto de ser proibida sua comercialização.

Os efeitos do referido veneno não se limitou aos trabalhadores, atingindo também suas famílias, inclusive mulheres e crianças, uma vez que a maioria se dedica à destalação das folhas de fumo, dentro de suas próprias casas, como forma de aumentar a renda familiar, atividade por meio da qual igualmente se contaminaram.

O tamaron marcou de forma tão contundente a região, que seu nome batizou operação desencadeada pela Polícia Civil de Alagoas, em idos de 2008, para promover buscas e apreensões de combate ao crime organizado no Estado.

O caso não pode permanecer no estado em que se encontra, eis que em jogo a vida das pessoas e os destinos do meio ambiente.

A deputada Rosinha da Adefal, tomando conhecimento do caso, se comprometeu em levar o caso ao conhecimento e discussão na Procuradoria Especial da Mulher, onde é a 1ª Procuradora Adjunta, uma vez que a saúde das mulheres, principalmente as recém-nascidas, gestantes e nutrizes, se encontra ameaçada.
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