terça-feira, 28 de novembro de 2006

Queridos amigos, leitores e "torcedores",
Inscreverei meu projeto de publicação do livro de Poemas "Palavras de Absinto" no concurso Alagoas em Cena, se Deus quiser, até amanhã (http://palavrasdeabsinto.blogspot.com).
Estou aqui no corre-corre para atender os requisitos do edital, e envolvida com elaboração de palestra que vou proferir agora a tarde, sobre pessoas com deficiência e reabilitados, em evento organizado pelo INSS. Tudo isso, enquanto apronto minha filhota para a escola, rs!
Corrente positiva, em meu favor, tá bom, meus queridos?
Um grande abraço.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Opinião: Três jornadas mais hora extra.


Opinião
TRÊS JORNADAS E MAIS HORA EXTRA

São 4h15min da “madruga”, de uma sexta-feira pós-feriado.

Enquanto minhas “olheiras” fitam o monitor e meus dedos dormentes dedilham – sem compromisso – o teclado do PC, minha filha, Beatriz, de quatro aninhos, exausta, repousa o sono dos justos, tentando recuperar as horas que lhe foram roubadas por uma inesperada crise de asma. Vez por outra, em situações como essa, as mulheres se vêem diante de uma terceira jornada, compulsoriamente agregada ao cotidiano, que já possui outras duas oficialmente estabelecidas.

Beatriz foi nome que escolhi para a filha que eu viesse a ter, antes mesmo que me visitasse o instinto maternal, ou se apresentasse parceiro que partilhasse o mesmo sonho. Significa: “a que traz felicidade”... e traz mesmo! Nunca me vi tão seguramente apaixonada e nem tão concentrada em fazer alguém feliz.

Sim, ter filhos é o mais intrigante mistério da vida. E não há nada nem de longe parecido, que nos permita estabelecer comparações, para facilitar o entendimento dos que ainda não experimentaram do milagre.

“Mas tudo tem preço e nome”: a maternidade traz, também, sua dose de peso e desconforto. Principalmente para as mulheres dessa era, que deram asas as suas vocações e buscaram seguir suas aspirações e seus sonhos, não mais dedicadas somente a condução do lar.

Noites sem dormir, como esta, são relativamente constantes, pois o sono é de virgília. Já os dias ficam corridos, pois você passa a se dedicar a dar solução a “duas vidas” (uma espécie de “empresária voluntária” em tempo integral dos interesses dessas coisinhas fofas). Pentear dois cabelos, passar fio dental em duas bocas, vestir dois pijamas, limpar quatro orelhas e cortar quarenta unhas.

O peito do frango, sua parte preferida, não mais lhe pertence, se a genética for forte e os paladares parecidos. Pensou que ficou livre do Português, Matemática, Geografia e História, por ter colado grau em nível superior e apostado em carreira que não requer o manejo desenvolto da tábua de logaritmos, do uso da crase ou das invasões persas? Vai ter que começar a estudar tudinho de novo! Vai ter que ativar a memória para acompanhar as tarefas escolares que, hoje em dia, não são moleza.

Energia para montar quebra-cabeças ou para assistir pela vigésima sétima vez ao “Rei Leão”, com entusiasmo, quando tudo o que se quer é maldizer a vida e jazer prostrada no sofá, após longo dia de trabalho... lamento, não é mais possível. Ela quer brincar! E isso são só alguns exemplos de situações que nos tumultuam o dia-a-dia. Porém, pagamos o preço, sorrindo, tamanha a plenitude desse relacionamento. Pelos filhos perdemos os pudores, esquecemos os (pré)conceitos, jogamos fora a classe e a etiqueta. O que nos importa é que eles estejam bem, confortáveis e felizes, e nos permitam permanecer como espectadores de suas conquistas e alegrias. Nada mais.

De certo que há homens completamente concentrados em ‘lamber suas crias’ e conduzi-las ao mundo, ensinando-as “o caminho das pedras”. Mas, infelizmente, essa não é a regra. Cabe a nós orquestrar os atos necessários ao desfecho vitorioso dos males que porventura acometam nossos pequenos rebentos. “Não dá mais. A febre não cede. Vamos ao hospital”. No filme de nossas vidas, essa fala é nossa, mocinhas ou bandidas. Somos nós que decidimos a hora. Eles balançam a cabeça, em assentimento e reverência a nossa natural intuição, e tentam ser rápidos, manterem a calma e serem frios ao volante.

E a tal sociedade nos ensina que só por isso já devemos “lamber os beiços” e agradecer aos céus. ”Poderia ser pior!” – dir-se-ia – como se ao homem fosse dado o direito de “chutar o pau da barraca” e portar-se como irresponsável, inconseqüente e, ao mesmo tempo, manter a honra branquinha e engomada. Mas parece que para a mulher só foram reservados os dois extremos: “santa ou puta”.

A todos, atenção! Não é somente o fato de ter nascido mulher que determinará a presença do instinto maternal em nossas vidas. Algumas mulheres, simplesmente, não o terão. Assim como alguns homens foram com ele presenteados. E isso não fará de nós menos machos, ou fêmeas. Já evoluímos o bastante para entendermos que a diversidade é algo a ser respeitado. Abaixo os rótulos!

O dia vem nascendo e o sol aparece. A “que traz felicidade” permanece em sono profundo, como a “Bela Adormecida”, sem fuso e sem roca. Terá sido a agulha da injeção o malsinado objeto enfeitiçado, que não lhe permite o despertar??? Imune ao feitiço – portanto, fora do conto de fadas – permaneço acordada. E na vida real o cansaço físico persiste, ainda que feliz tenha sido o final da estória.

Contemplo o rostinho suado, que sinaliza que a febre cede aos poucos. O respirar, ainda ofegante, força a boquinha a permanecer aberta, em alternativa ao ar que não chega suficientes aos pulmões, o ronco no peito... concluo a “terceira jornada”.

Mas a vida ainda nos pede mais. Há previsão de “hora extra”. É o último ato de coragem dessa odisséia doméstica, da qual os homens também parecem estar liberados (já que nesse jogo de luta pela vida de nossas crias, foram “escalados” como reservas): apresentar atestado médico no trabalho, relativo a uma sexta-feira, quando a quinta que lhe antecedeu foi um festivo feriado. Ainda bem que minha chefia direta é ocupada por uma mulher, que - a propósito – também é mãe.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Opinião: Um discreto gesto de solidariedade.


Um discreto gesto de solidariedade
(sobre o seqüestro de Maria Luísa, em 01.10.2006) *

Na manhã seguinte ao dia em que tomei conhecimento mais detalhado do trágico seqüestro da pequena e bela Maria Luísa, acordei com um gosto de ranço na boca. O acontecimento caiu com tanta violência em minha vida, que obscureceu a não menos impactante notícia da queda do avião da Gol.
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Talvez por envolver uma criança tão pequena e na cidade onde resido, talvez por ter uma filha que no próximo dia 12 de outubro completará 5 anos, e é a razão de meu viver, e que por mais que eu venha a ser um ser humano desprezível, famigerado e ainda que mereça inúmeros castigos e maldições, ela continua a ser apenas uma criança ingênua e sorridente, ainda sem “contas a prestar” com a humidade... não sei.
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O fato é que bloqueei o sofrimento dos familiares das vítimas do acidente aéreo e me concentrei em refletir sobre o caso do seqüestro e esperar notícias da pequena.Confesso: não fiz nenhuma oração para que descansem em paz as vítimas do acidente aéreo e nem para que sosseguem os corações de seus familiares. Mente ocupada. Não tive tempo.
Talvez pelo amor incondicional que tenho pela minha filha eu me aproximei mais da dor dos pais de Malu (será que é esse seu apelido?).
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Essa dor aderiu a minha alma, e vem tirando as poucas alegrias que me restam. Afinal, quem consegue ser feliz hoje em dia?
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No máximo, nos sentimos aliviados em “sobreviver” supostamente seguros e saudáveis. E vamos levando...
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Mas tem uma dor que ainda incomoda mais: penso ininterrupta e dolorosamente nos medos e angústias ‘fundados’, lamentavelmente, que devem estar povoando a mente desse pequeno anjo, onde quer que ele se encontre.
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Como dorme? O que come? Será que toma banho? E a sua saúde? Rezo para que a fúria dos seqüestradores tenha se abrandado e ela esteja viva e bem.
Sinto calafrios e receios, ao tempo em que rogo por piedade, silenciosa, cada vez que me vem à mente a sua imagem, que conheci na linda foto que vem circulando os meios de comunicação, num misto de esperança e súplica de seus familiares à população em geral e aos seqüestradores.
Detesto “correntes” e emails padronizados, mas assim que recebi o que divulgava sua foto, tratei de encaminhá-lo para todos os endereços eletrônicos arquivados em minha caixa postal. Nem os amigos que se encontram em outras unidades da federação, ou mesmo as pessoas que tenho contato apenas profissional e esporádico escaparam de minha "sanha louca", mas justificada.
Hoje pela manhã presenciei a prova mais linda de “solidariedade anônima” que eu pude ter nesses últimos dias: com o carro travado e os vidros completamente fechados (pois o terror da violência social e o pânico finalmente tiraram os disfarces e estrearam definitivamente nas terras Caetés), parada, esperando o sinal abrir, na orla, vi uma vendedora de jornais, tentando vender o seu produto expondo um dos periódicos locais de forma não convencional, completamente destrinçado, destacando o caderno interno, especial, onde foi publicada a foto da bela menina, em vez da parte geral, que estamos acostumados a observar, que contêm as manchetes do dia e o nome destacado do impresso.
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Segundo o Mestre Aurélio Buarque de Holanda, ser solidário significa partilhar o sofrimento alheio, se propondo a mitigá-lo.Sei que sofrimento desta proporção não se suaviza com remédio algum.
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Mas demonstrações dedicadas, embora anônimas, como essa, trazem o alento de que a população alagoana se inquietou e busca adotar as medidas que estão a seu alcance, ainda que discretas e incipientes, em favor da pequena e seus familiares.
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Ricos e pobres, católicos e simpatizantes da Igreja Universal, parentes e completos desconhecidos, todos estão revoltados, mobilizados e atentos, buscando, em gestos mínimos, como uma prece, um olhar vigilante pelas ruas, o envio de um email, ou uma simples mas efetiva inversão da ordem dos cadernos de um jornal, contribuir para o desfecho feliz dessa tragédia.
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Toda a simpatia do mundo para o gesto solidário da anônima vendedora. Toda a proteção do mundo para a meiga Maria Luísa. Nós, esses ilustres e impotentes desconhecidos, esperamos ansiosos seu retorno em segurança.

* O que seria um assalto na porta de uma panificação, foi transformado no sequestro de Maria Luísa, de dois aninhos, que foi levada dos braços de sua mãe, servindo de escudo para os seqüestradores, no momento em que seu pai, policial civil, tentou reagir em defesa de sua família. Final feliz: cerca de 15 dias depois do ocorrido, a garota é resgatada pela Polícia, sem qualquer indício de maus tratos ou violação (artigo publicado em 03/10/2006, em palavrasdeabsinto.blogspot.com).
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