quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A minha mãe chamava-me Girina (texto de Mafalda Ribeiro - jornalista com "ossos de cristal")




A minha mae chamava-me Girina
 (texto de Mafalda Ribeiro - jornalista com Osteogenesis Imperfecta, conhecido como "Ossos de Cristal")

Sob o mesmo prisma do sapo que um dia se transformou em príncipe, pelo poder do amor, atrevo-me a partir de hoje - que é um dia perfeito porque é sete - e semanalmente, sempre as quartas-feiras, a desfiar o novelo das minhas emoções aqui.

Porque nem tudo o que parece é... 
 
Sou uma mulher que faz do tempo um compasso de espera pelo toque do tal beijo no sapo. Um beijo dado pela humanidade a tudo o que é apelidado de diferente, quando diferentes somos todos, até os sapos. Um beijo capaz de transformar o ângulo de visão daqueles que experimentam beijar e com isso ver para além das aparências. Um beijo que deveria acontecer mais do que uma vez e diariamente ao contrário de ter anualmente data marcada para ser dado: o 3 de Dezembro em que se assinalou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
 
Porque há mulheres que, se lhes tirarmos aquilo que se vê à primeira vista, são, como deveriam ser todas as mulheres, princesas no trono da vida todos os dias. Sentadas nele, com um olhar mais atento, penetrante nas coisas banais, são mulheres que guardam dentro de si a perseverança e a aceitação de permanecerem permanentemente num corpo incompleto de um qualquer dos cinco sentidos. Vale-lhes o sexto, quase exclusivamente concedido à mulher, ainda mais apurado aquando da falta de visão, audição, sensibilidade no tacto, fala ou mobilidade.
 
Eu sou uma dessas mulheres a quem o destino concedeu um trono com rodas. Há mais de um quarto de século, não sabia o que eram fadas boas nem bruxas más, mas senti a magia (que dura até hoje) da invisível varinha de condão que me tocou nas primeiras horas de vida e me soprou baixinho ao ouvido: "vive..."! Agora, sentada na minha cadeira de rodas sei que fui abençoada; ser como sou não é uma maldição sedenta de um milagre, é um estado de consciência de que os finais felizes não foram escritos só para príncipes e princesas. Afinal, os sapos também são filhos de Deus...
 

Fonte: email encaminhado por Marta Gil
 
http://mulher.sapo.pt/a-minha-mae-chamava-me-girina-1205749.html
Descrição da imagem: foto de Mafalta sentada em sua cadeira de rodas sorrindo. Ela veste uma roupa de cor preta com um lindo lenço vermelho, e um ar elegante de tanta felicidade.

 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mude seu falar que eu mudo o meu ouvir - Acessibilidade: um livro escrito por pessoas com deficiência intelectual

Mude seu falar que eu mudo o meu ouvir
Acessibilidade: um livro escrito por pessoas com deficiência intelectual

O livro, escrito por jovens com deficiência intelectual, está em sintonia com o lema “Nada sobre nós, sem nós”.
Os autores: Ana Beatriz Pierre Paiva; Beatriz Ananias Giordano; Carolina De Vecchio Maia; Carolina Reis Costa Golebski; Cláudio Aleoni Arruda e Thiago Rodrigues, e a mediadora Carolina Yuki Fujihira
A acessibilidade, mote do livro, está presente desde a capa, que traz o título também em braile; o CD ROM que vem no encarte garante a leitura por meio eletrônico. As borboletas coloridas, símbolo do Carpe Diem, representam a liberdade, liberdade essa que os autores experimentaram, partilhando reflexões e sentimentos, mostrando como a acessibilidade viabiliza a comunicação e, consequentemente a participação.
A iniciativa é da Associação Carpe Diem e o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Governo do Estado de São Paulo.
Ninguém melhor que Thiago Rodrigues para apresentar o livro:

Vou contar uma coisa para vocês, o mais interessante da minha cabeça, nós com deficiência intelectual, nós somos especiais, mas somos a esperança do futuro e do mundo.  Esperança deste livro foi o que mais interessante para nós, foi marcante. De todos os encontros que a gente já encontraram, uns já falaram coisas que a gente teve de desabafar.  Mas nós somos a esperança de dar um livro de presente para todos vocês.  Ele fala sobre a alma. Ele fala sobre emoção. Esse livro foi alegria para nós...um filho.  E isso foi mais profundo. Porque a estrela lá no céu que está sempre brilhando por nós.  Mas o Jesus e o Deus sempre estão esperando o nosso caminho entrando na nossa estrada.  E eu  queria que todos nós pudesse fazer uma homenagem sobre que nós somos capazes de enfrentar isso. “

Serviço
Associação Carpe Diem
Somos uma organização sem fins lucrativos, fundada em 07 de maio de 1996, por uma mãe e um grupo de profissionais envolvidos com a questão da inclusão de jovens com deficiência intelectual. Escolhemos o nome “Carpe Diem” que significa gozar o dia, viver o presente.

Nosso objetivo é apoiar as pessoas com deficiência intelectual, na aquisição de ferramentas e meios que favoreçam o seu desejo de serem incluídas na sociedade. Pessoas com deficiência intelectual podem fazer escolhas, construir seu plano pessoal para o futuro, e desenhar os passos necessários para atingi-lo, construindo seu projeto de vida com o apoio de sua família, seu círculo de amigos, pessoas da comunidade e profissionais.


Missão: “Fortalecer a autodeterminação da pessoa com deficiência intelectual, para que esta possa influenciar a sociedade no compromisso com a diversidade.“

O livro está à venda na Associação – R$ 30,00 (trinta reais)
 Rua Pintassilgo, 463
CEP 04514-032       São Paulo, SP
Telefone (0**11) 5093-1888
CNPJ: 01.215.483/0001-04

Tem Papel no Varal, neste proximo dia 14, em Maceió - AL

O Papel no Varal está de volta e desta vez é o Botequim Paulista que vai ser banhado com poesia de todo canto, poesia pra mundo. Charles Bukowski, Paulo Leminski (ver abaixo), Marcos de Farias Costa e Hilda Hilst se juntarão a 96 outros autores e ficarão pendurados no varal enquanto não forem lidos pelo público. Qualquer presente pode ler qualquer poema do varal. O evento acontecerá quarta-feira, 14 de dezembro de 2011, às 20h.  

A participação musical será da cantora e compositora alagoana Fernanda Guimarães que encantará as pessoas, calçadas e canteiros da Amélia Rosa com sua bela voz. 

Para Ricardo Cabús, criador do Projeto, levar o Papel no Varal ao Botequim Paulista é um desafio, mas a atmosfera do local tem tudo para criar um evento onde a poesia possa se espalhar e trazer diversão às pessoas presentes.

O Papel no Varal existe em Maceió há mais de dois anos e tem levado poesia aos quatro cantos da cidade.  


Paulo Leminski
Mar

aqui
nesta pedra
alguém sentou
olhando o mar
o mar
não parou
pra ser olhado
foi mar
pra tudo quanto é lado


SERVIÇO

Papel no Varal
Apresentação: Ricardo Cabús
Participação musical: Fernanda Guimarães
Dia: Quarta-feira, 14 de dezembro de 2011, às 20h
Local: Botequim Paulista
Av. Dr. Antônio Gomes de Barros (antiga Av. Amélia Rosa) – Jatiúca - Maceió - AL
Mapa:
http://maps.google.com.br/maps/ms?msid=217399522031094918563.0004b35cbc01eb692f3fe&msa=0&ll=-9.650497,-35.700996&spn=0.005997,0.010568
Mesa: gratuita por ordem de chegada 
Classificação etária: 14 anos
Informações: 8872-1705 ou pelo email: contato@lumeeiro.org
Comentários: http://cacosinconexos.blogspot.com
Produção: Equipe Lumeeiro
Apoio: Armazém Guimarães, Ao Pharmacêutico, Gama Engenharia de Recursos Hídricos, SECULT, UFAL, IZP.

Abaixo o material de divulgação do próximo Papel no Varal. Mais informações em http://cacosinconexos.blogspot.com.
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