quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ato contra intolerância religiosa em Maceió

Ato político contra intolerância religiosa
A noite do dia 14 de maio ficou na História de Alagoas. Lideranças do movimento negro alagoano, representantes de várias comunidades de fé, estudantes e profissionais dos mais diversos setores participaram de um Ato Político contra a Intolerância Religiosa, atividade integrante da semana dos "120 anos de abolição e resistência".
As ruas do Conjunto Village Campestre no bairro do Tabuleiro do Martins (Maceió) pararam, e os moradores ficaram atentos para ouvir o batuque e as palavras de ordem. Foi com um cortejo afro conduzido pelo grupo percussivo Baque Alagoano, onde pessoas das mais variadas idades demonstraram alegria e conscientização política, por meio da dança e da música durante todo o percurso.
Representou um momento de intensa união em busca de um mesmo ideal: o respeito às diferenças, além de denunciar as desigualdades político-sociais sofridas diariamente pelos afro-descendentes, e ainda, para conscientizar a população de que o racismo e a intolerância religiosa são crimes.
Os participantes seguiram até a sede do Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), vítima por duas vezes de intolerância religiosa, onde foram acolhidos com o banho de cheiro. Posteriormente, houve o pronunciamento de lideranças, apresentações de dança e da Orquestra de Tambores.
E para prestigiar a ação político-cultural estavam presentes: a ialorixá e atriz da Rede Globo Chica Xavier e sua neta, também atriz Luana Xavier, além de integrantes de entidades de outros Estados.
(Texto: Helciane Angélica / Vídeo: TV Gazeta de Alagoas).

terça-feira, 3 de junho de 2008

"Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!"

"Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!". A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são "gaia", "cabaré", e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhando uma música da banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de "forró", e Ariano exclamou: "Eita que é pior do que eu pensava". Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Pruma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta "desculhambação" não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de "forró", parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético,. Pior, o glamur, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina "forró estilizado" continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem "rapariga na platéia", alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção ?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é "É vou dá-lhe de cano de ferro/e oma cano de ferro!", alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Artigo de José Teles, publicado no JC Online em 07 de maio

CPT realiza 8ª Feira Camponesa

Estima-se que cerca de 200 toneladas de alimentos sejam comercializadas

A 8ª Feira Camponesa vai ser realizada entre os dias 04 e 06 de junho na Praça da Faculdade. Os produtos estarão à venda a partir das 6h, sendo a abertura oficial às 9h, com a presença de lideranças de movimentos sociais e representantes do governo.

A perspectiva da organização do evento é comercializar aproximadamente 200 toneladas de alimentos produzidos nos acampamentos e assentamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) por cerca de 130 feirantes. São produtos agrícolas frescos vendidos a um preço justo. Os produtos comercializados na Feira são orgânicos, seguem o modelo de produção agroecológico.

Como nas últimas Feiras Camponesas realizadas na capital, na sua 8ª edição, além dos alimentos agrícolas, o evento tem outras atrações: uma Casa de Farinha funcionará durante a Feira produzindo “farinha quentinha”, como forma de trazer um pedaço do campo para a cidade e; a programação noturna conta com um circuito cultural, onde se apresentarão grupos musicais do Estado, como o Grupo Cumbuca, Pinóquio do Acordeon, Jurandir Bozo e Joelson dos 8 Baixos. Já que estamos no mês de São João, as noites também vão contar com o forró do trio Nó Cego, dos Amigos do Forró e a quadrilha junina “Lapadão”.

As Feiras Camponesas organizadas pela CPT acontecem há cinco anos na capital e esse ano passou a ser expandida para os municípios Messias, Murici e Porto da Rua. Apesar do sucesso, o incentivo governamental ainda é pouco, a exemplo da não liberação de recursos para Assistência Técnica nos Assentamentos pelo INCRA desde janeiro do corrente ano.

Maiores informações:
Carlos Lima (coordenador estadual da CPT) – 9127-5773
Cícero Adriano (engenheiro agrônomo da CPT) – 9323-0230
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